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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

para outro poema de rosângela darwich

Comprovar o que existe
é uma curva no deserto
quanto mais dentro do nada
mais desperto.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

para um poema de lélia coelho frota

A equilibrista
despe a pele
por braços e pernas
dorso
em avesso
na travessia arriscada
de ser.

Frentista de um produto arriscado
- o próprio corpo –
se vira em duas
para agarrrar as mãos
que são suas.

A equilibrista agarrada
no fio controlado da sua
passagem elástica
se vira em quatro.
(A equilibrista
vive
de improviso
acrobático.)

Bicho que arrasta
patas, cara de gente,
boca
de gata.


Como é pequeno o espaço que lhe é dado
para passar o corpo deeesdobrado
que termina por crescer no quadro
para não cair, para ser segurado.

A equilibrista projeta ser
como um desenhista o desenho.
Mas para ser, o caminho é estreito:
há trecho em que só a mulher passa,
tem outro que só a esfinge devassa.

A equilibrista é uma dupla esforçada
metade gente, metade bicho.
(Mas não desistirá do capricho
de explorar o seu próprio espaço.)


segunda-feira, 2 de junho de 2008

estão chegando as festas juninas



Eu pedi numa oração

Ao querido São João

Que me desse um matrimônio

São João disse que não

São João disse que não

Isto é lá com Santo Antônio









domingo, 6 de abril de 2008

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

um museu de arte nipo brasileira





Caminhando pela São Joaquim, na Liberdade, vi o grafite dos OsGêmeos num tapume de obras. Quando parei para observar vi que era um mural, obra de vários artistas. Atrás do tapume, as ruínas de um prédio centenário, o antigo Colégio Campos Sales. Uma placa indicava que ali seria o futuro Museu de Arte Moderna Nipo-Brasileira Manabu Mabe. Adorei a idéia. Como já anoitecia, resolvi voltar outro dia pra fotografar.

Pesquisando um pouco, descobri que o prédio foi tombado e a construção é de 1912, projeto do italiano Giovanni Battista Bianchi (1885-1942). O edifício sofreu um incêndio em 1992 e a escola foi transferida para outro lugar. O projeto do Museu é do Instituto Manabu Mabe.




Além do acervo do Instituto Manabu Mabe, o Museu deverá receber mais cem obras de artistas nipo-brasileiros e brasileiros. O projeto prevê a construção de um centro de pesquisa, biblioteca, salas de aulas e salas de exposições.

Voltei lá. A rua é estreita, com muito movimento de carros, pouco espaço para fotografar o mural. Eu estava nisso quando percebi uma porta aberta. Espiei, não havia ninguém atrás do tapume. Resolvi entrar no edifício. Os trabalhadores estavam no fundo, ninguém se importou comigo. Comecei a fotografar. De repente, em meio às paredes cinza, janelas sem vidros, andaimes, capacetes de proteção, vi o painel de Mabe: absoluta surpresa, pura vibração do azul, pura vibração do vermelho. Click. Mas, antes que eu pudesse subir as escadas e continuar com minha incursão pelo prédio, apareceu o engenheiro: - tem autorização? Não, eu não tinha. Ele me acompanhou até a rua e trancou a porta. Paciência.

Está prevista uma exposição em junho, como parte das comemorações do centenário da migração japonesa. Voltarei. Com certeza serão outros prazeres.

























































quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Para um poema de affonso manta


Fazer da brisa um traje sem medida

E do arco-íris fazer um tobogã

Amar as mínimas coisas da vida

E ter no olhar as luzes do amanhã


domingo, 17 de fevereiro de 2008

a todos aqueles que plantam de noite e colhem de dia

Acabou o horário de verão. E todo ano é a mesma coisa: tem gente que reclama, tem gente que gosta e outros que nem se abalam. Os jornais, que precisam inventar novidades sobre assunto tão banal, além dos lembretes aos desavisados sobre a necessidade de atrasar os relógios, divulgam os números relativos à economia de energia que conseguimos nesse período, e ai, pra dar um coloridozinho, acabam indo atrás de alguma curiosidade, tipo relógios difíceis de acertar, seja pelo seu mecanismo complexo, seja pelas dificuldades de acesso, sobre a extinção dos relojoeiros, ou qualquer variação sobre o tema da precisão e manutenção de relógios.


Esse ano, a regra confirmou-se. Estão lá os números de quanto economizamos. E para que tenhamos a compreensão do que significa os 4,2% de energia, fazem comparações, equivalências, tentando dar concretude aos números: uns 60% do consumo da cidade do Rio de Janeiro ou 80% de Curitiba nos horários de pico, ou a energia gerada por uma imensa hidrelétrica de 1.557 MW. Soube também que essa foi a 37ª edição do horário de verão e que ele vigora por 22 anos consecutivos.



- Será que o tema desse blog passou a ser curiosidades? Não, não. É que uma coisa leva à outra. E como a matéria do jornal falava sobre os relógios nas estações do metro, dos trens metropolitanos, e dos terminais de ônibus - mais de 700 relógios mostrando a hora certa para quem não pode perder o trem - me lembrei do mural dos OsGêmeos, lá no Cambuci.












Uma homenagem aos trabalhadores noturnos. Aos que por necessidade ou por prazer, fizeram adaptações nos seus relógios biológicos.


Aos que plantam de noite e colhem de dia.











sábado, 5 de janeiro de 2008

para um poema de rosângela darwich



Há dias para as palavras
e dias mudos.
Celas entre vozes e silêncio,
há dias impenetráveis
e dias cúmplices.
Sob profecias e arbítrios,
há dias só para os deuses
e dias que se interrogam como qualquer homem.


terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Sprays poéticos

Tenho encontrado grafites que me emocionam como poemas visuais. As vezes, eles são acompanhados por uma frase, um verso, uma palavra, uma mensagem escrita que se integra à expressão gráfica, pictórica, e o diálogo fica perfeito.


O grafite que vi na Rua Sabará, em Higienópolis, no muro de um estacionamento, trazia algo mais. Um carimbo, uma marca: Sprays Poéticos. Fiquei encantada com a proposta. Fui investigar e achei o projeto de Rica P, da produtora A Caravana. A idéia foi convidar artistas feras do stencil para que interpretassem poemas de Alice Ruiz, Paulo Leminski, Valeria Andrade e do próprio Rica P. Os Sprays Poéticos foram fotografados por Beto Riginik e o trabalho foi apresentado numa exposição na Casa das Rosas. Pra minha decepção, isso tudo rolou em meados de 2006. Perdi.


Esse que fotografei é do Celso Gitahy e da Valeria Andrade. Passei por lá esses dias e o grafite não existe mais. O muro foi pintado. Está todo branco esperando outras artes. Efêmeras. Como tudo.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar






O cantor, compositor e rabequista Siba Veloso e a Fuloresta, músicos da zona da mata pernambucana, maracatu rural, lançaram o álbum Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar.
As ilustrações da capa e encarte do CD são dos artistas grafiteiros Osgêmeos, Gustavo e Otávio Pandolfo. Bela parceria. Interessante fusão entre rural/urbano/pernambucano/paulista.
Dos muros da cidade para os museus e galerias de arte, os grafitis se integram à imagética contemporânea.


12 LINHAS
Em cada palmo de terra
Tem uma cruz enfincada
De quem morre em emboscada
De fome ou por acidente
Em qualquer um continente
Um conflito tumultua
Em cada beco de rua
Uma criança infeliz
Que o pai gerou e não quis
A mãe pariu e deixou
E ela se transformou
Numa vítima do país
(siba/zé galdino)







segunda-feira, 5 de novembro de 2007

As paredes têm ouvidos, os muros discursos


Numa época de crise das representações, de falta de credibilidade, de desconfiança das instituições e dos atores tradicionais da política, o que anda pelos muros ?





quinta-feira, 1 de novembro de 2007

o grafite é a marca das cidades contemporâneas

Grafites e pichações estão em todos os lugares. Eles compõem a paisagem das metrópoles contemporâenas. Inseridos no caos imagético das cidades, disputam o olhar do cidadão.
Arte, modas, políticas, manifestações de grupos ou indivíduos solitários, seja lá o que anda pelas cabeças, anda nos muros.

- Quem olha e não vê?

- Quem vê olha o quê?