quinta-feira, 31 de julho de 2008

para uma filha de Oxum



Um dia, Orunmilá saiu de seu palácio para dar um passeio acompanhado de todo o seu séquito. Em certo ponto, deparou com outro cortejo, do qual a figura principal era uma mulher muito bonita. Orunmilá ficou impressionado com tanta beleza e mandou Exu, seu mensageiro, averiguar quem era ela.

Exu apresentou-se ante a mulher com todas as reverências e falou que seu senhor, Orunmilá, gostaria de saber seu nome. Ela disse que era Iemanjá, rainha das águas e esposa de Oxalá.

Exu voltou à presença de Orunmilá e relatou tudo que soubera da identidade da mulher. Orunmilá, então, mandou convidá-la ao seu palácio, dizendo que desejava conhecê-la.

Iemanjá não atendeu de imediato ao convite, mas um dia foi visitar Orunmilá. Ninguém sabe ao certo o que se passou no palácio, mas o fato é que Iemanjá fico grávida após a visita a Orunmilá. Iemanjá deu à luz uma linda menina.

Como Iemanjá já tivera muitos filhos com seu marido, Orunmilá enviou Exu para comprovar se a criança era mesmo filha dele. Ele devia procurar sinais no corpo. Se a menina apresentasse alguma marca, mancha ou caroço na cabeça seria filha de Orunmilá e deveria ser levada para viver com ele.

Assim foi testado, pelas marcas de nascença, que a criança mais nova de Iemanjá era de Orunmilá. Foi criada pelo pai, que satisfazia todos os seus caprichos. Por isso creceu cheia de vontades e vaidades.

O nome dessa filha é Oxum.
(mitologia dos orixás - reginaldo prandi)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

para um poema de orides fontela


CDA (IMITADO)

Ó vida, triste vida!
Se eu me chamasse Aparecida
dava na mesma

sexta-feira, 18 de julho de 2008

quinta-feira, 17 de julho de 2008

para um poema de antonio cícero



Não se entra no país das maravilhas
pois ele fica do lado de fora,
não do lado de dentro. Se há saídas
que dão nele, estão certamente à orla
iridescente do meu pensamento,
jamais no centro vago do meu eu.
E se me entrego às imagens do espelho
ou da água, tendo no fundo o céu,
não pensem que me apaixonei por mim.
Não: bom é ver-se no espaço diáfano
do mundo, coisa entre coisas que há
no lume do espelho, fora de si:
peixe entre peixes, pássaro entre pássaros,
um dia passo inteiro para lá.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

para um poema de fabrício carpinejar


Eu preferia ter perdido tudo
para não ficar reparando
as pequenas perdas.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Atenção, cuidado!

Subindo a av. Rebouças, se entrar no túnel, cuidado, você poderá ter uma surpresa. E não há como escapar. Tanto faz se o seu destino for a Dr. Arnaldo ou o Pacaembu, você ficará frente a frente com ela, a Mula-sem-cabeça.

Ela está de volta, assombrando os caminhos. Alta madrugada, de quinta pra sexta-feira se você passar por lá ouvirá um som aterrorizante, uma mistura de choro e relincho que vem perturbando as almas penadas do Cemitério do Araçá. É sinal de que algum celibatário quebrou seus votos, deixando-se seduzir pelos encantos de alguém.

Os entendidos recomendam esconder unhas e dentes ao encontrar uma Mula-sem-cabeça. Dizem que ela é dada a arrancá-los. Dizem também que se alguém retirar o freio de ferro que ela carrega, o encanto se acabará e ela voltará a ser gente. Alguém se habilita?