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sexta-feira, 6 de junho de 2008

bola de gude, bola de meia


Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão


Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão


E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal


Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão

(milton nascimento)

terça-feira, 8 de abril de 2008

a descoberta do mundo

Por que é que um cão é tão livre?
Porque ele é o mistério vivo que não se indaga.

Não ter nascido bicho parece ser uma das minhas
secretas nostalgias.

clarice lispector

sexta-feira, 7 de março de 2008

8 de março

Para
Amélia, Beatriz, Cleide, Dora, Eunice, Flora, Gabriela, Helena, Isabel, Julia, Laura, Maria, Nair, Odete, Paula, Quirá, Rosa, Silvana, Teresa, Úrsula, Vera, Xênia, Zenaide, Ana, Berenice, Carmem, Doralice, Eurídice, Filomena, Gertrudes, Hortência, Isaura, Jurema, Lúcia, Monalisa, Nana, Olga, Priscila, Quitéria, Rute, Sonia, Teolinda, Uma, Vilma, Xena, Zilda, Aparecida, Bárbara, Clarice, Dulcinéia, Elisabete, Fabíola, Gilda, Heliodora, Inês, Juliana, Laurinda, Mafalda, Nélia, Otília, Pina, Quimera, Rosália, Serena, Talita, Urana, Xerazade, Zilá, Ágata, Benedita, Conceição, Diana, Eloá, Fábia, Generosa, Haidê, Iemanjá, Jaqueline, Lara, Manoela, Naomi, Ofélia, Pilar, Quirina, Rosely, Sandra, Teodora, Ulima, Valentina, Xuxa, Zoraide, Angélica, Brigite, Clara, Darlene, Efigênia, Felícia, Giselda, Helga, Ivete, Josefina, Leila, Madalena, Neusa, Olinda, Penha, Quaraciama, Rufina, Shirlei, Tarsila, Ubirajara, Vânia, Xantipa, Zélia, Alice, Branca, Cecília, Désirée, Elsa, Fátima, Gerusa, Hebe, Iracema, Jasmim, Léa, Moema, Nora, Odemira, Penélope, Renata, Sebastiana, Tais, Ula, Vanusa, Ximena, Zelda, Adalgisa, Bernadete, Cibele, Djanira, Eva, Fernanda, Gioconda, Henriqueta, Imaculada, Joana, Leocádia, Marlise, Nádia, Olímpia, Plácida, Quaraci, Rafaela, Susana, Valéria, Xavantina, Zulmira, Alexandra, Bibiana, Cássia, Dinorá, Emília, Florípedes, Getúlia, Irma, Janete, Lurdes, Margot, Nara, Olívia, Potira, Ondina, Patrícia, Quaresma, Roberta, Salomé, Telma, Ulpiana, Xaviera, Zelinda, Abigail, Bernarda, Cinira, Diva, Edwiges, Francisca, Gina, Herondina, Leda, Morgana, Neide, Otacila, Porcina, Quelidônia, Rebeca, Túlia, Ubiracema, Vanessa, Xante, Zuleica e a todas as mulheres com outros nomes, e nomes em outras línguas que eu não sei nomear.

E especialmente, para as 900 mulheres da Via Campesina que esta semana promoveram um ato de protesto contra a monocultura do eucalipto e em defesa da soberania alimentar da população brasileira.

- Feliz 8 de março.


























































































































































































































































Para não esquecer
No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque fizeram uma greve. Ocuparam a fábrica. Reivindicavam a redução da jornada de trabalho para dez horas (o exigido eram 16 horas de trabalho diário), equiparação salarial (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, nesse ato absurdamente desumano.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

para um poema de carlos nejar





Nossa sabedoria é a dos rios.

Não temos outra.

Persistir. Ir com os rios,

onda a onda.



Os peixes cruzarão nossos rostos vazios.

Intactos passaremos sob a correnteza

feita por nós e o nosso desespero.

Passaremos límpidos.



E nos moveremos,

rio dentro do rio,

corpo dentro do corpo,

como antigos veleiros.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Quem disse que cabelo não sente




Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada

Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada

Quem disse que cabelo não sente

Quem disse que cabelo não gosta de pente

Cabelo quando cresce é tempo

Cabelo embaraçado é vento

Cabelo vem lá de dentro

Cabelo é como pensamento

Quem pensa que cabelo é mato

Quem pensa que cabelo é pasto

Cabelo com orgulho é crina

Cilindros de espessura fina

Cabelo quer ficar pra cima

Laquê, fixador, gomalina

Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada

Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelada


Quem quer a força de Sansão

Quem quer a juba de leão

Cabelo pode ser cortado

Cabelo pode ser comprido

Cabelo pode ser trançado

Cabelo pode ser tingido

Aparado ou escovado

Descolorido, descabelado

Cabelo pode ser bonito

Cruzado, seco ou molhado


arnaldo antunes

sábado, 3 de novembro de 2007

Tipos urbanos










Grafite é arte urbana. Seu ambiente é urbano, seus temas e personagens são urbanos.